![]() |
| Figura 01: Congonhinhas vista da Praça Nossa Senhora Aparecida |
No passado, esta vegetação cobria todo o Município, hoje, quase toda a área foi reduzida à vegetação secundária e atividades agropecuárias, restando muito pouco das florestas originais (Tozzo e Carvalho 2007).
há duas hipóteses para explicar a origem do nome do município “Congonhinhas”: primeira hipótese, segundo alguns habitantes, o nome deve-se a abundancia de uma variedade de erva mate, chamada congonhinhas, (planta do gênero Ilex) encontrada na região pelos primeiros povoadores e era usada para fazer chimarrão e/ou chá.
Segundo (Ferreira 2006), Congonhinhas é uma palavra formada pelo termo “congonha” acrescida do sufixo diminutivo feminino “inha”. O termo “congonha” vem do tupi “Cuã-cõi”... dedo gêmeo, designando espécie de planta, trata-se de uma variedade de ilecineas de folhas pequenas mais amarga do que a erva-mate, com mais forte dose de teína, que as nossas Leis consideram nocivas e condenam seu emprego ou mistura com a erva-mate legítima. Segundo Aurélio Buarque de Hollanda o termo “congonha” vem do tupi “kõ’gõi”... o que mantém o ser.
A primeira hipótese pode ser contestada, uma vez que, não existe nenhum remanescente desta planta na atualidade. A segunda hipótese, aqui apresentada, é mais consistente com os registros históricos e a vegetação atual.
Conforme Eliot (1848), em 16/12/1846, Lopes e Elliot e mais 12 pessoas, por determinação do Barão de Antonina, rumaram dos Campos do Inhoó para norte acompanhando o Tibagi de uma a duas léguas de distância, seguiram para o Ribeirão Santa Barbara, depois acompanham o rio Congonhas, Elliot disse que puseram esse nome no rio por causa da abundância de erva mate que havia no local. Tudo indica que o itinerário seguido foi o divisor de águas entre o rio Congonhas e o rio Tibagi. No dia 13/1/1847 estavam de volta aos campos do Inhoó depois de 25 dias. Em 15/3/1847, a 5ª entrada de Lopes e Elliot, também por determinação do Barão de Antonina, partiu dos Campos do Inhoó em direção aos fogos dos índios que eles tinham visto na exploração de novembro de 1846. Após atravessarem o rio Congonhas, a seis léguas dos campos de Inhoó, eles chegaram as queimadas.
Conforme nos conta este registro histórico, a planta abundante na região era a congonhas Ilex paraguaiensis, o que levou o explorador Norte Americano Jhon Henri Eliot a dar este nome ao rio Congonhas, em 1846, em seu relato, Eliot não menciona a existência de tal variedade de erva mate de folhas pequenas.
Segundo Ferreira (2006) o povoamento do atual sítio urbano deu-se na década de vinte, do ultimo seculo, nas proximidades do Rio Congonhinhas, mas já residiam nas imediações as famílias de Manoel Paiva, Francisco Faustino, Nazário Rodrigues, João Felício, José Felício e outros. Em 1924, chegaram à região José Domingues da Costa, João Canedo da Silva, José Luiz de Oliveira, Joaquim Luiz de Oliveira, Messias Teodoro da Costa e sua esposa, Eugênia Domingues da Costa, após adquirirem área de quinhentos alqueires de terras, dos quais foram separados nove alqueires e doados à Mitra Diocesana, para a formação de um povoado.
Este outro registro, nos diz que, por ocasião da formação do atual sítio urbano, já existia um rio denominado Congonhinhas, afluente do rio Congonhas, nas margens deste rio pode ser encontrada atualmente plantas de Ilex paraguaiensis popularmente denominadas de Congonhas, contudo, não há registro de ocorrência atual de variedade de planta do gênero Ilex, popularmente denominada congonhinhas. Então, de onde vem o nome deste rio? A explicação mais plausível e consistente com todos os fatos é esta: o rio congonhas foi nominado em 1846, por apresentar em suas margens abundancia de congonhas Ilex paraguaiensis, e, o Rio Congonhinhas foi assim denominado, na forma diminutiva por ser menor que o rio congonhas, do qual é afluente e, o povoado recebeu o nome do rio, (Congonhinhas).
![]() |
| Figura 02: Ilex paraguaiensis (Congonha ou Erva Mate) |
Viani e Vieira (2007), num estudo da flora arbórea da bacia do rio Tibagi, da qual o município de Congonhinhas participa com 34% de seu território, citam seis espécies do gênero Ilex: I. brasiliensis (Spreng.) Loes., I. brevicuspis Reissek, I. chamaedryfolia Reissek, I. dumosa Reissek, I. paraguariensis A.St.-Hil. E I. theezans Mart. ex Reissek. Estes autores ressaltam que estas espécies são mais frequentes dentro da Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária). destas apenas I. paraguariensis A.St.-Hil é popularmente conhecida como congonha, da qual é extraído o mate.
Ressaltamos que, no município de Congonhinhas, localizado no Baixo Tibagi, predomina Floresta Estacional Semidecídua; apenas uma pequena parte do seu território, justamente, seu limite sudoeste, onde está a nascente do rio Congonhas, explorado por Eliot em 1846, está numa faixa de transição para Floresta Ombrófila Mista.
REFERÊNCIAS
ELLIOT, John Henrique. Itinerário das viagens exploradoras pelo Sr. Barão de Antonina para descobrir uma via de comunicação entre o porto da villa de Antonina e o Baixo-Paraguay na província de Mato-Grosso: feitas nos annos de 1844 a 1847 pelo sertanista o Sr. Joaquim Francisco Lopes e descriptas pelo Sr. João Henrique Elliott. RIHGB, Rio de Janeiro, 10:153-177, 1848.
FERREIRA, João Carlos Vicente, 2006. Municípios paranaenses : origens e significados de seus nomes. – Curitiba : Secretaria de Estado da Cultura.
IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 1993 [1988]. Mapa de Vegetação do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.
TOZZO, S. A. & CARVALHO, S. 2007 A Família Orchidaceae em Fragmentos de Mata Atlântica no Município de Congonhinhas, Estado do Paraná, Brasil. Orquidário V. 21, nº 3, p. Rio De Janeiro
VIANI, Ricardo Augusto Gorne e VIEIRA, Ana Odete Santos. Flora arbórea da bacia do rio Tibagi (Paraná, Brasil): Celastrales sensu Cronquist. Acta Bot. Bras. [online]. 2007, vol.21, n.2, pp. 457-472. ISSN 0102-3306

